quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ainda sobre o ataque ao Cobué

Em 15 de Julho de 1969, ainda antes dos primeiros alvores, a FRELIMO desencadeou um ataque às nossas instalações a que já fizemos referência neste blogue. Não estava presente a guarnição habitual, pois fora do aquartelamento do Cobué, em operações de nomadização, estava metade do DFE5 sob o comando do Comandante da Unidade.

Completando-se hoje exactamente 41 anos desse ataque, queremos recordar que felizmente desse ataque directo não tivemos qualquer baixa, nem mesmo feridos, apesar do intenso fogo a que estivemos sujeitos, fruto, em especial da reacção havida e da utilização da Oerlikon que nos estava atribuída com um marinheiro artilheiro para a defesa do aquartelamento.

Das armas utilizadas pelos então nossos Inimigos (IN), a de maior respeito foi o canhão sem recuo. Nos patrulhamentos feitos pela nossa Unidade no próprio dia e dias seguintes pelas imediações recolheram-se algumas dezenas de invólucros dessa arma, como o que a fotografia documenta, nos dias hoje usada como elemento simbólico mas só decorativo.
Fotos de JFAPVB

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Rações de combate

A ração de combate que utilizámos não foi sempre a mesma. Na fase inicial muitos produtos doces e salgados, nos primeiros os leites condensados e os concretos de fruta a que alguns chamavam os "croquetos", nos segundos carnes muito temperadas e enchidos. Rações mal concebidas para o cenário em que actuávamos, de elevadas temperaturas durante o dia e muitas vezes com escassez de água.

Só passados uns meses de comissão surgiu outro tipo de ração de combate, tipo 30, em caixa mais comprida, de inspiração sul-africana, com a presença de saladas de fruta e sumos.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Operação Nó Górdio (16)

Na Operação "Nó Górdio" o DFE5 teve com parceiro nas operações e no assalto à Base Nampula outro Destacamento de Fuzileiros Especiais, o DFE 11, chegado a Moçambique em data posterior à do nosso Destacamento.
Já instaladas na Base Muera as Unidades que constituíram o Agrupamento "C", o Comandante do Agrupamento, o 1º Tenente Vidigal Aragão, passou a determinar, por escala, quais as Unidades que faziam o patrulhamento e nomadização numa área exterior à daquela Base.
Num dos primeiros dias, deu-se a circunstância de o regresso de patrulha dum Grupo Especial (GE) composto por elementos de recrutamento local se ter verificado sensivelmente pelo mesmo ponto de saída para patrulhamento do DFE11, em zona muito arborizada e de pouca visibilidade, de que ocorreu um incidente com tiroteio, resultando ferimentos num dos fuzileiros desta última unidade.
Na foto a evacuação do elemento atingido, o 1º grumete Teles ordenança do Imediato do DFE11 2º Ten Cristiano de Oliveira

Foto de LCOliveira
, então Imediato do DFE11

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terça-feira, 8 de junho de 2010

Actuação nas operações: Emboscadas

Na actuação do DFE5 foram raras as ocasiões em que os seus Grupos de Assalto não realizaram emboscadas durante as operações. Muito frequentemente na zona do Lago Niassa, quase em todas na área de Cabo Delgado, mais esporadicamente na área de Tete. Na operação "Nó Górdio" em praticamente todas as saídas da Base Muera foram montadas emboscadas expeditas, de que resultaram quase sempre capturas de elementos.
Na área do Niassa, em 1969, improvisou-se um sistema de montagem de emboscadas, expedito, sempre que se suspeitava de haver elementos adversários em perseguição ou seguimento das nossas forças: consistia na inversão da coluna, fixando-se no solo os elementos da frente daquela, virados para o lado oposto ao do sentido da marcha, prosseguindo os restantes como até aí mas estacionando imediatamente logo que ultrapassados os militares já deitados no solo e em posição. Invertia-se assim a coluna sem qualquer paragem, dando a ideia aos eventuais perseguidores que a nossa força nunca interrompera a marcha, já que no trilho usado não ficara qualquer outra pista ou marca.

Emboscada: uma operação realizada de surpresa sobre elementos adversos em movimento, para os aniquilar ou impedir de atingir determinados pontos, bem como fazer prisioneiros, colher informações, apreender armas e documentos, causar danos e criar instabilidade.

domingo, 6 de junho de 2010

Fotos individuais antigas: 1567/67 Sebastião Santos Vargens


Do 1567/67 Mar FZE Sebastião Santos Vargens.
(Já falecido)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Em Mueda em 1970

Nas proximidades do local onde o DFE5 teve o seu acampamento em Tete, antes do arranque para a Operação "Nó Górdio", situava-se o "bar do china" , também cantina, muito frequentado pelos militares ali presentes, constituindo uma das poucas distracções existentes.



Diapositivo de Antides Santo

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Na zona de Tete. O Rio Zambeze

Ainda antes da inauguração da ponte em Tete, sobre o Rio Zambeze, uma vista sobre a cidade. Destaca-se o movimento no rio e a forma como as viaturas o podiam atravessar em cima duma jangada*.


Diapositivo (Tete - homem, canoa, monte) de Antides Santo

Nota*: Duma destas jangadas, aconteceu em 1970, ao final do dia, que um "jeep" pertencente à Força Aérea Portuguesa, que fora buscar o correio a Tete, caiu ao Rio Zambeze. A jangada encontrava-se atracada em Tete e o "jeep", depois de recolhido o correio, entrou por um lado e, não travando devidamente, saiu pelo outro lado da jangada caindo ao rio. Como o aquartelamento do DFE5 era relativamente próximo, foram-nos pedir ajuda. Estava presente o Oficial Imediato que com mais outro elemento (salvo erro o Caparica) anuíram ao pedido. Mesmo sem material de mergulho ou barbatanas e apenas em calção de banho, só em apneia, já escuro e com a corrente forte do rio, conseguiu-se localizar a viatura no fundo, com uma vara comprida que também ajudou a descida do Imediato. Depois de várias peripécias e só pelo tacto foi àquele possível passar um cabo guia que logo a seguir permitiu a passagem e a fixação dum cabo de aço numa peça na traseira do "jeep" e que esse logo de seguida fosse rebocado de terra por um tractor. Tenho uma vaga ideia de logo após a localização da viatura ainda foi possível a recolha dum dos sacos do correio no interior da mesma, mas, disto tenho a certeza, os elementos envolvidos não receberam qualquer mensagem dos proprietários do "jeep" em causa.